Thursday, November 01, 2007

Dez Mandamentos da AI

Correspondentes de Guerra

Por Maria Vitoria Vélez
(Primeira Página - ABI)
Em 10/2/2005

A cobertura de uma guerra é o ponto alto na carreira de um correspondente internacional. Mas ao lado do prestígio profissional, esse desafio, considerado único por quem o vive, traz um risco cada vez maior para os profissionais dispostos a enfrentá-lo.
Embora arriscar a vida seja algo inerente ao trabalho dos jornalistas que cobrem conflitos, atualmente no Iraque eles têm se tornado alvo freqüente de seqüestros e assassinatos.
Segundo o último relatório da ONG francesa Repórteres Sem Fronteiras, o Iraque aparece, pelo segundo ano consecutivo, como o lugar mais perigoso do mundo para o exercício da profissão. Em 2004, 19 jornalistas e 12 colaboradores de um total de 53 em todo o mundo tombaram cobrindo o conflito naquele país.
Como conseqüência, o trabalho dos correspondentes tem se limitado ao “engajamento” (acompanhamento) de tropas americanas ou ao “jornalismo de hotel”, em que os repórteres apuram as matérias pelo telefone, confinados em seus quartos de hotel, como denunciou Robert Fisk, do jornal The Independent, em artigo recente publicado na Folha de S.Paulo.
Em ambos os casos, a imparcialidade fica comprometida, já que grande parte da informação procede de fontes militares americanas ou do governo provisório iraquiano, patrocinado por Washington.
Diante desse panorama, a série Jornalismo na Prática destaca nesta semana o trabalho dos correspondentes de guerra.
Cobrindo diferentes áreas de enfrentamento em épocas e regiões distintas, os jornalistas Joel Silveira, William Waack, Luis Edgard de Andrade, Beatriz Lecumberri e Antonio Scorza contam aqui suas experiências em campo, sua rotina de cobertura, as dificuldades encontradas e as estratégias criadas para o desenvolvimento desse trabalho.
A escritora e também jornalista Paula Fontenelle fala da manipulação da mídia pelo exército britânico e americano na guerra do Iraque descrita em seu livro, "Iraque: a guerra pelas mentes" (editora Sapienza) e levanta a questão: como é possível fazer uma cobertura de guerra com isenção?
Veja a seguir como é o trabalho de um correspondente de guerra na prática.
  • “É forte a disputa pela vaidade e menos pela vontade de cumprir uma missão profissional” (William Waack)
  • “A última guerra com um front tradicional foi a Segunda Guerra Mundial" (Joel Silveira)
  • “Quando há um enfrentamento, tudo acontece muito rápido (...) O fotógrafo precisa registrar o momento" (Antonio Scorza)
  • "Jornalismo de hotel"
  • Marcos da cobertura de guerra
  • Euclides da Cunha, Hemingway, Capa, Korda, Bresson: o legado do front
  • Cursos para jornalistas em áreas de conflito

A difícil tarefa de fazer jornalistas

Por Carlos Chaparro
(Comunique - se)

O XIS DA QUESTÃO

– No ensino do jornalismo, que Deus e os homens nos livrem da tentação de modelos únicos ou hegemônicos. Qualquer que seja, porém, a escolha curricular adotada, ela deve conter estratégias que integrem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento e interação, tendo como eixo pedagógico espaços laboratoriais multidisciplinares.

1. Cursos com identidade própria
Qualquer que seja o padrão de ensino proposto ou defendido para a formação de jornalistas, a questão terá de passar, inevitavelmente, por escolhas curriculares. Se quisermos encarar seriamente o assunto, não poderemos fugir à polêmica dos currículos. E para isso aqui estou, na retomada da conversa sobre a formação de jornalistas.
Claro que não serei leviano a ponto de apresentar, aqui, o modelo ideal de currículo. Currículo ideal não existe. Nem seria desejável que existisse. Entendo, até, que cada curso de jornalismo deveria assumir, preservar e desenvolver uma vocação própria (de ensino, pesquisa e extensão), assumindo preponderâncias que o tornem referência em determinadas vertentes disciplinares do jornalismo.
Quero dizer o seguinte: sem prejuízo da visão global do campo de estudo em que o jornalismo já se constitui, e sem renúncia a compromissos com a formação integral (humanística e técnica) dos futuros profissionais, cada curso deveria desenvolver padrões de excelência em alguma vertente do aprendizado de jornalismo. E fazer disso marca de identidade.
A meu ver, seria ótimo, por exemplo, que houvesse cursos de referência no ensino e na capacitação de profissionais para as linguagens da mídia eletrônica; outros, com qualidade superior na formação para o pensar e o fazer jornalismo nos meios impressos, em um mundo movido a notícias em tempo real; outros, ainda, que aprofundassem conhecimentos para o domínio das artes e técnicas da narrativa jornalística. E (por que não?) que bom seria se algum curso de jornalismo se pudesse distinguir pela excelência do seu ensino e dos seus estudos em disciplinas relacionadas com a argumentação. A propósito, estou convencido de que a competência argumentativa do jornalismo será exigência crescente da sociedade, no mundo cada vez mais complicado em que vivemos.
2. Laboratórios multidisciplinares
Claro que pode haver uma certa margem de utopia nessa idéia de cursos com vocação própria, com padrões de excelência em certos agrupamentos disciplinares. Mas já se vislumbram, por aí, alguns cursos que souberam desenvolver características particulares, e com elas trabalham marcas de excelência.
Qualquer que seja, porém, ou possa ser, a vocação particular de cada curso, repito o que escrevi no texto anterior: o jornalista que a Universidade deverá formar terá de ser um profissional com educadas aptidões de intelectual, capaz de apreender, atribuir significados e dar exposição social confiável (isto é, independente, crítica e honesta) aos conflitos discursivos da atualidade. Mas será intelectualmente inepto se, ao mesmo tempo, não dominar, plena e criativamente, os conceitos, os recursos, as técnicas, as artes e as implicações da linguagem jornalística - ferramentas do seu ofício.
Defendo, portanto, combinações disciplinares que combinem a formação teórica e a capacitação técnica, em crescentes níveis de aprofundamento, ao longo do curso. Para isso, exige-se, como estratégia pedagógica, investimentos prioritários em espaços laboratoriais que não sejam apenas templos do fazer, mas onde a experimentação jamais esteja dissociada do pensar intelectual, para que aí se produza um saber consistente, no domínio dos porquês e para quês do jornalismo – jornalismo entendido como linguagem hoje essencial dos processos sócio-culturais. Proponho, portanto, espaços laboratoriais com orientação e docência multidisciplinares.
3. Três momentos
Uma das discussões mais interessantes nas divergências sobre a questão curricular anda em torno das proporções ideais entre teoria e prática, na evolução do curso.
Para o debate, deixo, aqui, a proposta em que mais acredito, formada sobre a minha própria experiência de profissional e professor de jornalismo.Defendo que, com qualquer currículo, o curso de jornalismo seja ordenado em três grandes momentos articulados, de complexidade progressiva, com arranjos disciplinares que combinem conteúdos teóricos e técnicos:
Momento da INICIAÇÃO
- Em nível de iniciação, e com carga horária preponderante, os alunos ingressantes deveriam ter acesso a conteúdos básicos de formação humanística, entre os quais, indispensáveis, História da Cultura e da Cidadania, História do Jornalismo, Ética e Deontologia, Economia, Ciência Política, Filosofia da Linguagem, Metodologia, Antropologia e Geografia (Política e Humana). Ao mesmo tempo, também em formato de iniciação nas técnicas jornalísticas, e com carga horária menor, mas crescente, os alunos devem dispor de espaços de aprendizado experimental, em projetos vivos, para práticas de jornalismo real, sem simulações.

Momento do APROFUNDAMENTO
– Seria a fase mais alongada do curso, em que, no plano das idéias e da formação teórica, o caráter mais extensivo da iniciação daria lugar à possibilidade de escolhas para o estudo aprofundado (por meio de disciplinas optativas, por exemplo) em jornalismo e em no máximo duas áreas complementares de conhecimento, da preferência do aluno. Simultaneamente, a experimentação técnica cresceria em complexidade e carga horária, pedagogicamente inserida em espaços laboratoriais multidisciplinares, propícios às interações entre teoria e prática, espaços que, nesta fase, funcionariam como eixos do curso.
Momento da MATURAÇÃO
– Seria o momento do atendimento pedagógico individualizado, preenchido com atividades orientadas de leituras, pesquisa e experimentação, para a produção do trabalho final de avaliação. Em um percurso de seis meses a um ano de estudo direcionado, em torno de um projeto ou de uma monografia, o aluno se defronta com seus limites e suas potencialidades, para demonstrar, de forma consolidada, os conhecimentos adquiridos e as aptidões desenvolvidas ao longo do curso.
É o que penso.

Profissão Jornalismo: o difícil começo

Por Aline Moura (*)

Primeiro, preciso esclarecer a dúvida que certamente paira em seu pensamento. Não, o Eduardo Ribeiro não parou de escrever para a coluna Jornalistas&Cia - Cenários. Mas você continua se perguntando: então por que outra pessoa assina a coluna hoje? Explico: Angustiada e inquieta enviei um e-mail para o Eduardo Ribeiro sugerindo que ele abordasse em sua coluna a questão do mercado de trabalho para jornalistas que se encontram na mesma situação que a minha: recém-formados e sem perspectivas. E para minha surpresa, recebi o convite do próprio colunista para fazer esta pauta e aqui estou eu! Durante duas semanas, busquei com profissionais experientes dicas para trilhar os caminhos na profissão. Ouvi conselhos, boas histórias e até presenciei alguns momentos reais da rotina jornalística, e percebi que esses dias foram a minha maior aula de jornalismo. A faculdade me ensinou a técnica e me apresentou a profissão, mas acho que esqueceu algumas lições que aprendi agora.

Assim como eu, o estudante entra na universidade com desejos e ilusões e acaba muitas vezes frustrado com a realidade do mercado. Mas se já no período acadêmico o pontapé inicial foi dado, fazendo estágios, participando de seminários e tomando iniciativas, quando formado este iniciante terá mais chances em relação ao recém-formado que nada fez. Perguntado sobre dicas para os jovens profissionais, o jornalista Ronaldo Lapa, gerente de Comunicação Corporativa da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro e professor de jornalismo na UniverCidade, foi contundente: "É interessante passar, ainda como estudante, por uma situação real de mercado". E foi o que procurou fazer a jornalista Fabiana Lobão, formada há 11 meses, hoje repórter do programa Estado em Ação, na TV Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), e assessora de imprensa do Instituto Vivo. Ainda na universidade, sem medo de ousar, ela correu atrás literalmente do seu espaço.

- É importante ter uma meta e acredito que tive desde o primeiro período do curso, quando fui fazer um trabalho para a faculdade na rádio Transamérica com outras meninas e deixei meu currículo com o responsável. Fui chamada uma semana depois para estagiar na emissora. No mesmo período, conheci um redator da Rede TV e falei com ele que estava interessada em estagiar lá e logo ele me indicou – lembra Fabiana.

Difícil conseguir acesso ao mercado sem nenhuma experiência? Sim. Impossível? Não. Na verdade eu própria me desesperei bastante, a ponto de escrever uma carta-desabafo ao Eduardo, e receber dele "um puxão de orelhas", do tipo, "pare de reclamar e vá a luta. Olha aí que bela pauta você mesma criou e pode desenvolver".

Foi uma importante lição: percebi que sempre é tempo de começar, mesmo que demore um pouco. Vai depender de cada um e do que se está fazendo para reverter a situação. Certo, o mercado é competitivo, mas vagas existem e o importante é saber procurá-las e, principalmente, ter determinação, se preparar constantemente e gostar da profissão. "Mesmo sem oportunidades depois de formada, a pessoa ainda poderá ser jornalista profissional. Eu sou um exemplo vivo. Só trabalhei na área dois anos depois de concluída a graduação", surpreende o jornalista Sidney Rezende, âncora da CBN e apresentador do Bom Dia Rio, da TV Globo.

O iniciante do jornalismo precisa estar atento aos novos nichos de mercado. Aquela visão romântica da profissão, de apresentar um telejornal, ser repórter de tevê ou rádio, escrever para um grande jornal ou uma revista, precisa se adequar à realidade. Não que os jornalistas jovens como eu devam abandonar o sonho de trabalhar numa grande redação, porém precisam compreender que outras alternativas existem e podem ser um trampolim para os objetivos maiores. "Os jornais, as rádios e a televisão estão mais retraídos, mas houve uma abertura de espaços em jornais menores, em assessorias de imprensa, Internet e canais de televisão fechada", comenta o editor Paulo Motta, chefe da editoria Rio do jornal O Globo. Além de se sintonizar nessas novas áreas, quem quer entrar e crescer na profissão precisa entender que o primordial é atuar, é circular pelo meio e conhecer os profissionais.

- O mais comum ainda é chegar ao mercado através do conhecimento de um ou outro jornalista. A concorrência é grande e o candidato deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para demonstrar sua capacidade e sua vontade de fazer jornalismo – destaca Aziz Filho, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e chefe da sucursal Rio, da revista IstoÉ.

Devemos ir atrás e agarrar as oportunidades surgidas, por menos atraentes que possam parecer. Essa, aliás, é a tese defendida, por exemplo, pelos repórteres esportivos da rádio Tupi, Paulo Júnior e Carla Matera. Para eles o recém-formado não deve desprezar uma chance, mesmo que não seja um emprego com um bom salário. "Claro que para você se firmar, só com muito trabalho e demonstrando que você tem competência. Agora, para chegar em algum lugar você precisa se tornar conhecida", afirma Carla. A jornalista Roberta Guimarães, produtora na rádio Tropical Solimões, formada há quase dois anos, segue isto a risca. Ela acredita que o importante é não ficar estacionada. Mesmo não sendo bem remunerada, ela prefere trabalhar a não ter nenhuma oportunidade. Jornalistas experientes, como Nair Suzuki, editora de Negócios do jornal O Estado de S. Paulo, começaram a carreira sem receber um salário.

- Quando cursava o segundo ano da faculdade, em 1969, candidatei-me a uma vaga de estagiária na sucursal de São Paulo do Jornal do Brasil. Na época, o estágio não era remunerado. Por minha escolha, fiquei trabalhando de graça durante cinco meses no JB. Depois abriu uma vaga na Agência Folhas e fui convidada a trabalhar lá, com carteira assinada – conta Nair.

Um bom caminho para o recém-formado ingressar no mercado de trabalho são os cursos de treinamento oferecidos por alguns veículos de comunicação, conhecidos como programa de trainee. Os principais são: Folha Treinamento, oferecido pela Folha de S.Paulo, o curso intensivo de Jornalismo Aplicado, do jornal O Estado de S. Paulo, e o Curso Abril de Jornalismo, do grupo Abril. Agora estão abertas as inscrições para o programa de treinamento da Folha, pelo site do jornal. Pode se candidatar qualquer pessoa que tenha curso superior concluído ou em andamento, que seja criativa, bem formada e julgue ter talento para jornalismo. Também está em fase de inscrição o curso do Estadão, destinado a jornalistas formados até dois anos ou alunos do último ano ou semestre das escolas de jornalismo de todo o Brasil. Para se inscrever acesse o site do veículo. As inscrições iniciaram em maio e continuam durante o mês de junho.

Vale lembrar que para conseguir uma oportunidade, além da atuação no mercado, o recém-formado precisa se aperfeiçoar. Não precisa nem dizer que a leitura foi a dica unânime entre os jornalistas entrevistados, mas que é recomendada para praticá-la desde a época de estudante, já no ginásio! Ler todos os jornais, revistas semanais, livros e mais livros sobre diversos temas e não somente sobre jornalismo. "Eu acho indispensável a pessoa ler. Lendo vai ter mais vocabulário, mais argumentos e mais informação", ressalta Sidney Rezende. Ter bagagem cultural, ter um bom texto, ser curioso, ser dinâmico e ter caráter, estas são qualidades que Paulo Motta aponta para um aspirante a jornalista. "Bagagem cultural não é só assistir a peças teatrais ou entender pintura, é conhecer história, gostar de sociologia e antropologia, é cultura geral como um todo", explica Paulo. Nair Suzuki vai mais longe nas suas dicas. Para ela a preparação depende muito das iniciativas que o profissional terá. "Estudar línguas, fazer um curso fora do país, fazer uma pós-graduação, cursar outra faculdade etc. O curso de jornalismo, por si só, não prepara o aluno para o mercado", aconselha Nair.

A dedicação deve ser contínua e a perseverança do recém-formado não pode acabar. Manter o
contato com os amigos da faculdade e conhecer novas pessoas. Comunicar, essa é a palavra de ordem para o jornalista. Seguir as dicas dos colegas mais experientes, se informar e estar antenado com o mercado. "Ficar de olho nas vagas e aparecer na hora certa", destaca Aziz Filho. Tudo isso deve ser levado em consideração para o jovem profissional galgar seus espaços.

O mercado, como em qualquer área, é competitivo e vai depender do crescimento econômico do País e justamente por isso a oportunidade surgirá se o jovem jornalista for ao encontro dela. Vai depender exclusivamente do recém-formado, da sua vontade de exercer a profissão, começando em uma pequena ou grande empresa, aceitando um trabalho fixo, um temporário ou um "bico", remunerado ou não, qualquer coisa que o coloque na vitrine do jornalismo. Ficar reclamando, colocando obstáculos em tudo e esperar o seu emprego cair do céu, isto não resolve o problema. Por isso não pensei duas vezes na hora de aceitar o convite do Eduardo Ribeiro. Pode ser que eu ainda não consiga abrir as portas do mercado, mas termino esta coluna consciente que dei um grande passo nessa direção.

(*) Aline Moura - Especial para o Jornalistas&Cia-Cenários. Ela tem 24 anos e é formada pela Universidade Veiga de Almeida - RJ. Estagiou como assessora de imprensa do projeto Jovem Trabalhador Social, desenvolvido pela Coordenadoria Estadual da Juventude, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e depois foi supervisora da assessoria de Comunicação da Coordenadoria Estadual da Juventude. No total, trabalhou no Governo do Estado por um ano e cinco meses.

Nota do colunista

O e-mail que recebi da Aline é, de certo modo, recorrente. Vários jovens desalentados com as perspectivas do mercado de trabalho, no Jornalismo, mostram-se desarvorados, perdidos, sem saber por onde começar. Nada mais natural, portanto, que o desabafo.

Com a Aline resolvi devolver-lhe a inquietação: se você está incomodada, se coce, menina, vá à luta. Foi o recado que mandei, só que de uma forma elegante. Propus a ela fazer uma matéria sobre as dificuldades de acesso à profissão e, se possível, até com algumas dicas, para ajudar os demais que se encontram na mesma situação. E me comprometi a publicar seu texto na coluna semanal que assino no Comunique-se, colocando-a, de certo modo, na vitrine (dando-lhe, ao mesmo tempo, a oportunidade e o pretexto de ir atrás de colegas e de conhecer redações, de ver a prática). Ela cumpriu a parte dela e eu aqui estou cumprindo a minha.

Já escrevi sobre o tema outras vezes e volto a insistir: não há mercado de trabalho no Brasil em condições de absorver 5 mil novos jornalistas por ano. Isso não existe. No segmento dos veículos o mercado se retraiu brutalmente nos últimos quatro anos e agora ensaia uma retomada, mas ainda pequena, estando as maiores oportunidades no segmento de assessoria de imprensa e atividades afins. Mas ainda assim nada que se mostre compatível à absorção de 5 mil profissionais por ano. O que nos obriga, num raciocínio bem simplista, a afirmar que a maioria dos jovens que saem das universidades não terá vez nesta atividade.

Se o nosso fosse um País sério, certamente o Ministério da Educação já teria tomado providências de fechar pelo menos metade desses cursos, os quais se locupletam com o dinheiro suado desses alunos e seus familiares, vendendo-lhes ilusões, sem a contrapartida da garantia de trabalho. Formam, ganham o seu dinheiro e literalmente despejam no mercado pencas de meninos e meninas que muitas vezes não sabem sequer onde ir buscar trabalho. Uma desonestidade. Ou, como diria Boris Casoy, "Uma vergonha!". Se não há mercado, não há porque haver cursos formando gente para atuar no vento.

Como, no entanto, a realidade é essa, cabe-nos trabalhar com ela. Se não há mercado para todos, há ao menos para os melhores, para aqueles que escolheram essa atividade profissional por vocação, por desejo e por ambição. Para esses, os obstáculos serão a força de que necessitam para virar o jogo e conseguir um lugar ao sol. Fácil não é, mas impossível também não.

Costumo dizer que a iniciativa é meio caminho andado. Em palestras que às vezes profiro pelos cursos de jornalismo, sempre digo que melhor do que bater na porta de alguma redação pedindo emprego é ir lá e oferecer algum tipo de trabalho (uma pauta, por exemplo), dispondo-se a fazer ou a colaborar com ela.

A matéria da Aline mostra alguns personagens do primeiro time do jornalismo brasileiro que começaram trabalhando de graça, esperando pacientemente uma oportunidade. Isso, 20 ou 30 anos atrás. O mesmo se aplica nos dias de hoje: quem quer vai à luta, enfrenta os desafios, dá a cara pra bater, "invade" as redações, pede uma oportunidade (com uma solução debaixo do braço - isso sempre ajuda), acompanha e analisa o mercado, começa por baixo, enfim, se supera. Isso faz a diferença, como comprovam milhares de exemplos, Brasil afora.

Ex-agente do FBI confessa ser o "Garganta Profunda"

Nova York - Um dos maiores mistérios em torno do escândalo de Watergate, que derrubou o presidente dosEUA, Richard Nixon, nos anos 70, aparentemente foi resolvido. De acordo com a revista Vanity Fair, o ex-agente do FBI, W. Mark Felt admite ter sido"Garganta Profunda" - a fonte de dentro do governo queajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein a desvendar o caso. As reportagens da dupla ajudaram a forçar a renúncia de Nixon, em 1974.
Felt, atualmente com 91 anos, vive na Califórnia. Parentes dele confirmaram a história. "A família acredita que meu avô, Mark Felt Senior, é um grande herói americano, que foi acima e além do dever, com grande risco pessoal, para salvar este país de uma horrível injustiça", diz nota lida pelo neto de Felt, Nick Jones. "Todos esperamos sinceramente que o país o veja da mesma forma".
Woodward e Bernstein disseram que só revelarão aidentidade de "Garganta Profunda" depois que a fonte tiver morrido, e a CNN diz que Bernstein está decidido a manter o acordo. Felt era o segundo em comando do FBI no início da década de 70. Segundo a revista, ele manteve sua participação no caso Watergate em segredo, até mesmo da própria família, até 2002.

Wednesday, March 07, 2007

Última década: dois jornalistas foram mortos por semana

Dois jornalistas foram mortos semanalmente nos últimos dez anos. A chocante informação foi divulgada pelo Instituto International News Safety, baseado em Bruxelas, que publicou um levantamento sobre o assassinato de jornalistas na última década. Segundo o documento, 27 colegas foram mortos no Brasil, entre 1996 e 2006.
Mil Mortes

Mil profissionais de imprensa perderam a vida, em todo o mundo neste período, quase a metade deles (456) a tiro ou em explosões (101), trabalhando em campo (681) ou nos arredores de seu local de trabalho (117), revelou o relatório.
No entanto, mostrou a pesquisa, a grande maioria das mortes (731) ocorreu em tempos formalmente de paz. Pouco mais de uma em cada quatro foi em conflitos armados internacionais ou nacionais.
"Surpreendentemente, mesmo em zonas de guerra, assassinatos, e não acidentes, são a principal causa de morte de jornalistas. Por assassinato, quero dizer a morte deliberada e a sangue frio de um jornalista", escreveu, no prefácio do relatório, Harold Evans, ex-editor dos britânicos The Times e Sunday Times.
Brasil é o 11º em mortes

O Brasil ocupa o 11º lugar em uma lista de países onde mais foram mortos jornalistas nos últimos dez anos. O topo da lista foi ocupado pelo Iraque, onde 138 profissionais de imprensa morreram, seguido pela Rússia, onde as mortes chegaram a 88. Na Colômbia, que ocupa a terceira posição, 72 jornalistas foram mortos nos últimos dez anos.
Para obter o relatório completo, clique aqui.

Saturday, February 17, 2007

16/02- Dia do Repórter







Confira a homenagem que Maxpress preparou para todos os jornalistas no link abaixo:

http://www.maxpressnet.com.br/e/cartao_rep1.html

Sunday, February 04, 2007

Recém-formado pode obter registro com certificado

A DRT (Delegacia Regional do Trabalho) de São Paulo está emitindo desde outubro de 2006, o registro profissional provisório (MTb) para jornalistas recém-formados. Para consegui-lo, é necessário apresentar o certificado de conclusão de curso de jornalismo à DRT.

Este registro provisório tem validade de um ano, prazo dado para a apresentação do diploma. Caso este não seja apresentado, o registro será automaticamente cancelado pelo Ministério do Trabalho. Quando o profissional apresentar à DRT o seu diploma, o registro passa a ser definitivo. Isto vai facilitar a vida daqueles que, logo que saem da faculdade, ingressam no mercado de trabalho, já que as faculdades e o Ministério da Educação têm demorado para emitir o diploma.

O portador deste MTb provisório poderá se associar ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e também obter a carteira de identificação profissional da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) - que terá validade de um ano. Caso esse recém-formado não comprove que o registro foi validado no Ministério do Trabalho com a apresentação do diploma dentro do prazo determinado, a sindicalização será anulada.

Fonte: Sindicato de São Paulo

Portugal: deputados aprovam Estatuto do Jornalista

O Parlamento português aprovou na tarde do dia 01/02/2007, as três propostas de revisão do Estatuto do Jornalista. As alterações seguem agora para apreciação na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O Sindicato dos Jornalistas de Portugal apelou aos deputados, na semana passada, para votarem favoravelmente as três propostas, de modo a possibilitar um debate mais aprofundado sobre a revisão do estatuto profissional.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas de Portugal e site O JORNALISTA

Prisão preventiva de jornalista por crime de imprensa é ilegal

A prisão preventiva de jornalista por prática de crime de imprensa é ilegal, diz o subprocurador-geral da República Francisco Teixeira Dias, em parecer sobre um habeas corpus cujo objetivo é cassar a prisão de Domingos Raimundo da Paz. Ele foi acusado por um advogado e por agentes públicos do município de Registro, em São Paulo, por crimes crimes de calúnia, difamação e injúria. A informação é da Revista Jurídica ÚLTIMA INSTÂNCIA.

De acordo com o sub-procurador, o caput do artigo 66 da Lei n° 5.250/67 estabelece que "o jornalista não poderá ser detido nem recolhido preso antes da sentença transitada em julgado; em qualquer caso, somente em sala decente, arejada e onde encontre todas as comodidades".

Segundo ele, "é certo que a segunda parte do texto refere-se à prisão em qualquer caso, o que leva a conclusão de que o jornalista estaria sujeito, além da prisão decorrente de sentença com trânsito em julgado, à prisão por prática de crime que não seja de imprensa, a prisão por infidelidade na condição de depositário ou por descumprimento de obrigação alimentícia".

"A Constituição Federal, em resguardo da liberdade de expressão e informação, pressuposto e corolário do proclamado Estado democrático de direito, já assegura ao profissional da imprensa garantias especiais, dentre as quais, a inviolabilidade do sigilo à fonte, com tamanha repercussão aniquiladora de outros bens jurídicos", defende.

"Nada estranhável, pois, à Constituição Federal, que o legislador ordinário, em reforço a essa garantia constitucional da liberdade de expressão e informação, resguarde o jornalista profissional do risco da prisão preventiva, por crime de imprensa, tendo em vista, ainda, que, em face da mesma Constituição, a prisão cautelar é de ser reservada para casos excepcionais."
Fonte: Revista Jurídica ÚLTIMA INSTÂNCIA

Academia do Palestrante ensina escrever e publicar livros e artigos

Programa fornece ferramentas e dicas para profissionais que querem ingressar no mercado literárioTer artigos e livros publicados é um importante diferencial competitivo para o profissional moderno, pois o coloca em evidência, divulga seu nome, expõe seu trabalho e difunde suas idéias. Com a proposta de oferecer ao mercado ferramentas para estimular a produção de textos e publicações, a Academia do Palestrante vai promover nos dias 11, 18, 25 de novembro e 02 de dezembro o curso Como escrever artigos e livros e editá-los. Com carga horária de 32 horas e turmas com até 15 alunos, o programa é destinado para profissionais que querem aprender os critérios e as técnicas dos escritores. A proposta do curso é despertar o senso crítico para o texto bem escrito, fornecer as ferramentas para a produção de textos dissertativos e informativos e revelar o "caminho das pedras" para a publicação de artigos e livros.Ministrado pelos professores Cássio Eduardo Moraes Barbosa e Regina Giannetti, o curso Como escrever artigos e livros e editá-los tem como principal diferencial fornecer ao aluno uma avaliação com retorno personalizado e por escrito sobre o trabalho desenvolvido.

PROGRAMA:
1. Os princípios da comunicação
2. O texto descritivo
§ Noções de organização do discurso
§ Diferenças entre linguagem falada e escrita
§ Discurso subjetivo e objetivo
2. O texto narrativo
§ A importância do contexto e da continuidade
§ Discurso em primeira e terceira pessoas
§ Discurso direto, indireto e indireto livre
3. O texto dissertativo
§ Formulando a sua tese
§ Definindo os argumentos
§ Opções de abertura e fechamento
§ Roteiro para produzir um artigo dissertativo
4. O texto informativo
§ Formulando a síntese das informações
§ Definindo a sequência das informações no texto
§ Roteiro para produzir um artigo informativo
5. O planejamento de um artigo
§ A escolha do meio (revista, site, jornal)
§ Identificando leitor
§ Definindo tema, linguagem e enfoque
6. O planejamento de um livro
§ Estudo da concorrência
§ Definição de público, tema e diferencial da obra
§ Roteiro para o livro dissertativo
§ Roteiro para o livro informativo
§ Cuidados estéticos
7. A publicação via editora
§ Vantagens e desvantagens
§ A escolha da editora
§ A apresentação do projeto
§ A negoação com o editor
8. A publicação independente
Vantagens e desvantangens
Quem produz o livro para você
Relação custo & benefício
Etapas da produção do livro
Noções de artes gráficas: tipologia, processos de impressão, tipos de papel, acabamentos da capa


FACILITADORES


Cássio Eduardo Moraes Barbosa

Formado em Comunicação, possui experiência profissional de mais de 20 anos em editoras de diversos portes, na produção de periódicos (jornais e revistas) e de livros. É sócio e Diretor Editorial do Grupo Reino Editorial, que reúne as editoras Reino e Maná (títulos próprios e terceirizados), e da PLC Brasil, empresa de distribuição e representação. Possui experiência com divulgação e distribuição de livros, com participações na Bienal do Livro como expositor. Na produção de livros, tem trabalhado como ghost writer, em supervisão editorial, seleção e preparação de originai e adequação mercadológica de produto.


Regina Giannetti

Jornalista formada pela USP e com mais de 20 anos de experiência na produção de textos. Trabalhou como redatora-chefe no Grupo Abril, onde se envolveu com diversos meios de comunicação - de revistas a sites de internet, passando por livros e CD-ROMs.Atualmente, faz copidesque de livros para editoras, trabalha como assessora editorial e ghost whriter.


SOBRE A ACADEMIA DO PALESTRANTE

Atuando há um ano no mercado, a Academia do Palestrante lançou-se com uma proposta inovadora: preparar pessoas para empreender a carreira de palestrante com qualidade e profissionalismo. A empresa sensibiliza os profissionais para os benefícios da arte de palestrar, sendo esta uma importante forma de autopromoção, além da promoção de serviços, negócios e da própria empresa. É a única instituição no Brasil a oferecer um programa de formação de palestrantes com esse enfoque, além de cursos acessórios para o desenvolvimento de habilidades imprescindíveis para quem deseja comunicar suas idéias com bons resultados.A empresa tem como objetivos promover a profissionalização e especialização de profissionais que pretendem ingressar no mercado de palestras e auxiliá-los a desenvolver suas carreiras através de um programa modular de treinamento que abrange todas as etapas e ferramentas básicas. A empresa também contribui com a expansão do segmento de palestrantes profissionais, tornando-se referência como uma instituição formadora de quadros nessa área, presta assessoria para estruturação de apresentações, palestras, artigos e livros, promove cursos específicos para executivos de todas as áreas que querem melhorar sua comunicação, além de disponibilizar cursos in-company, através do seu Banco de Profissionais.Reunindo profissionais especializados em comunicação verbal, escrita, marketing pessoal, liderança e estratégia de negócios, a Academia visa atender tanto os profissionais que utilizam a comunicação no dia-a-dia para ensinar e treinar pessoas, liderar equipes, apresentar produtos ou projetos, quanto àqueles que desejam seguir a carreira de palestrante.A maior vantagem em possuir um certificado da Academia do Palestrante é a garantia da qualidade dos serviços prestados em decorrência do histórico dos professores altamente qualificados, que unem formação acadêmica e conhecimento de mercado.


CURSO: COMO ESCREVER ARTIGOS E LIVROS E EDITÁ-LOS

Data: 11, 18, 25 de novembro e 02 de dezembro
Carga horária: 32 horas
Local: Academia do Palestrante
Endereço: Rua Coronel Oscar Porto, 813 - 8ºandar – Paraíso - São Paulo - SP
Incluso: Coffe break e certificado.
Investimento: R$ 1.380,00 – consulte os descontos e condições de pagamento

Informações e inscrições: 11 3884-6558 ou 11 3559-7856
MATÉRIA PRIMMA - ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
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Pauta postada no Comunique -se em: 07/11/2006 11:43

OPORTUNIDADE PARA PUBLICAÇÃO DE LIVRO - REPORTAGEM

Jornalistas recém-formados podem ter seu livro-reportagem de conclusão de curso publicado pela Akademika Editora em 2007. A partir de 11 de dezembro, os interessados podem se inscrever enviando nome completo, endereço, telefone e descrição do projeto para o e-mail akademika@akademika.com.br. Os trabalhos que despertarem o interesse da editora poderão ser publicados sem custo para o autor.

PESQUISA MOSTRA O PERFIL DO ASSESSOR IDEAL

O profissional de assessoria de imprensa mais útil para o trabalho do jornalista de redação não é aquele que apenas envia os releases, e sim o que sugere pautas e auxilia no processo de apuração, conseguindo ganchos e personagens. Inclusive, este perfil está sendo cada vez mais elogiado por quem atua em redação. Esta é apenas uma das conclusões retiradas da pesquisa sobre a visão que os jornalistas possuem das assessorias de imprensa que o Comunique-se está publicando. O levantamento já está na quarta edição e, desde 2003, vem colaborando com o desenvolvimento do mercado. "Antes, não era possível comparar os dados. Hoje, podemos tirar uma série de conclusões, já que há informações suficientes para isso”, observa o presidente do Comunique-se, Rodrigo Azevedo. Os dados, colhidos em 2005 e 2006 e compilados com os já coletados nos anos de 2003 e 2004, oferecem um panorama abrangente sobre o relacionamento entre mídia e assessorias e analisa diversas questões sobre a efetividade e eficácia do trabalho dos assessores de imprensa. O objetivo da pesquisa é oferecer bases para que as empresas de comunicação corporativa que atuam no setor possam definir estratégias de atuação e corrigir falhas sistêmicas.
A pesquisa aponta que praticamente metade dos jornalistas que atua em redação acredita que a agilidade no envio de dados sobre o assunto em questão é a característica que mais colabora para o desenvolvimento de matérias. Apenas enviar informações via e-mail não é lá uma boa colaboração, na opinião dos entrevistados. Para facilitar o trabalho dos jornalistas de redação, o assessor precisa colocá-los em contato pelo telefone com porta-vozes das empresas. Mais da metade dos profissionais que responderam a pesquisa acha que os assessores não conhecem tanto o assunto divulgado e não conhece tão bem o funcionamento da imprensa. A qualidade do material encaminhado às redações também não é dos melhores. O principal problema do assessor é tentar vender a pauta que tem em mãos a qualquer preço.
Metade dos profissionais de imprensa afirmou que lê menos de 50% dos releases recebidos, ignorando sumariamente o restante.
O uso de recursos online
Embora a utilização de recursos online tenha sido focada em outras pesquisas, desta vez o Comunique-se dedicou de forma mais organizada uma parte do levantamento para avaliar a efetividade das ferramentas de Internet. Observando o resultado das perguntas, percebe-se que o jornalista trabalha quase que todo o tempo online.
As coletivas online estão ganhando cada vez mais espaço. Oitenta e um por cento dos jornalistas afirmaram que participariam de uma coletiva via Web, produto oferecido pelo Comunique-se, desde que o tema fosse de seu interesse profissional e que ele tenha disponibilidade de acesso em seu próprio computador.
Os convites para coletivas de imprensa presenciais são bastante ignorados. Apenas 25% de todas as propostas feitas aos jornalistas resultam na presença efetiva do profissional no evento. Esse número tão baixo é resultado do enxugamento das redações e, portanto, da baixa disponibilidade de tempo de cada profissional para se deslocar ao local da coletiva. Daí a vantagem de se realizar uma entrevista via Internet.
Um dado novo nesta pesquisa mostra que os jornalistas acreditam que a Sala de Imprensa torna-se importante na medida em que eles acessam o espaço para obter informações específicas. Inclusive, segundo os entrevistados, qualquer empresa que se preocupa com sua imagem na mídia precisa manter em seu site uma área para a imprensa. E não basta ter apenas releases, é preciso ter fotos, estatísticas, comunicados etc.
Mas esses espaços precisam ser constantemente atualizados. De 2004 pra cá, os jornalistas estão cada vez mais críticos em relação às salas de imprensa. A grande maioria acha ruim acessar um espaço como esse e ver informações desatualizadas. Quase 57% reclamam que não encontram nas salas online as informações de que precisam.
A opinião de outros profissionais
A jornalista Adriana Monteiro Fonseca, repórter da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, aponta que o melhor assessor é aquele que conhece o público do jornalista, porque assim ele consegue sugerir pautas focadas. "É impossível a gente escrever uma matéria como se fosse um release. Alguns [assessores] sabem disso muito bem, mas são poucos", analisa a repórter.
Sobre as coletivas, ela aponta receber mais de dez convites por mês, mas só comparece a duas, em média. A jornalista já participou de algumas coletivas online e afirma que é possível fazer as mesmas perguntas sem sair da redação. Porém ela também afirma que por vezes os entrevistados se esquivam de responder perguntas complicadas ou que envolvam dados que eles não queiram divulgar. "É mais fácil fugir das respostas", opina.
Sandra Takata, diretora de atendimento da assessoria de imprensa Versátil Comunicação, afirma que a elevação da avaliação positiva das assessorias é resultado de mudanças nas empresas clientes, que agora estão encarando mais a assessoria como uma forma de profissionalização de sua comunicação. Em reação a essa demanda, as assessorias vêm traçando estratégias cada vez mais focadas, na análise de Sandra.
A jornalista avalia também que boa parte dos jornalistas trabalhando nas redações não sabe como lidar com o trabalho dos assessores e que por isso muitas vezes perdem matérias importantes. "Hoje a informação está na mão dos assessores", afirma.
Como soluções para melhorar o relacionamento entre jornalistas e assessores, Sandra aponta a necessidade de um bom plano estratégico em relação ao foco e a editoria que se vai contatar e um bom software para envio de pautas. Além disso, defende também que o conhecimento do veículo com que está lidando é fundamental: "Todo assessor tem o papel de estudar a publicação [a que dirige releases], de estar consciente do que se está fazendo. Se não for um veículo conhecido, tem que passar a conhecê-los. O que tem que ficar claro é que nós [jornalistas e assessores] somos as duas pontas da mesma profissão", conclui Sandra.
Participaram da pesquisa 741 profissionais, entre repórteres, free-lancers, editores, diretores e apresentadores. Sessenta e oito por cento deles atuam na região Sudeste, 12% na região Sul, 10% na região Centro Oeste, 8% e 2% no Nordeste e Norte do País, respectivamente.
Investimento constante no mapeamento e desenvolvimento do mercado
Além da pesquisa "As Assessorias na Visão dos Jornalistas", o Comunique-se tem investindo no mapeamento dessa área. O Ranking de Comunicação Corporativa está em fase de produção. A idéia é mostrar quem são os maiores e melhores do mercado de cada região do Brasil. Entre as muitas vantagens de fazer parte deste levantamento está a veiculação da logomarca da empresa participante no espaço "Assessorias Abertas", dentro deste portal; a divulgação do ranking em nível nacional, para jornalistas e clientes e em nível internacional, via distribuição para cerca de dois mil veículos e fontes primárias de notícias, sem qualquer custo para o participante. Quem quiser ainda pode participar pelo site www.rankingcomunicacao.com.br.

APRENDA A BATER PAPO COM A IMPRENSA


Situação que chega a dar arrepios em muitos executivos, a entrevista é a melhor forma de apresentar sua empresa ao jornalista. Geralmente é um bate-papo agradável entre o PORTA-VOZ DA COMPANHIA e o repórter, que representa o veículo em que trabalha.

As entrevistas nem sempre são formais. Podem acontecer dentro ou fora do seu ambiente de trabalho. Quando forem formais, devem ter horário marcado. Cabe à ÁREA DE COMUNICAÇÃO todo contato jornalístico com a imprensa e agendamento do encontro – além de informações relevantes sobre o veículo e os assuntos que serão abordados.

Longe de assustar, a entrevista deve ser um DIÁLOGO EQUILIBRADO com distribuição igualitária da palavra. Por isso, aproveite a chance de retificar distorções de entendimento e de apresentar versões de seu interesse. Você é a FONTE e, por isso, pode dar ritmo à entrevista. Pode pedir ao jornalista para ir mais devagar, por exemplo. Lembre-se de que, como fonte institucional, suas declarações sempre serão veiculadas como OPINIÕES OFICIAIS da empresa. Logo, evite expor suas posições particulares.

É importante também se preparar adequadamente para responder todo e qualquer assunto que possa ser tratado, sobretudo perguntas delicadas. A cada momento há uma mensagem sobre a companhia a ser veiculada. Conhecendo a fundo sua empresa, é possível abordar aspectos que a valorizem. ENTUSIASMO E CONHECIMENTO podem trazer mais confiança e contagiar seu interlocutor. Saber onde se quer chegar com a entrevista é importante, mas jamais se deve perguntar isso ao repórter. É função da assessoria levantar esta informação.

Procure entender o que realmente importa ao jornalista e ofereça respostas para essa busca. Nem sempre o que parece noticioso para a empresa é o que entusiasma o entrevistador. Ofereça informações IMPORTANTES E EXCLUSIVAS. Mesmo que nem toda informação passada com exclusividade se transforme em furo, jornalistas adoram “furar” a concorrência.

DICAS PARA TORNAR EFICIENTE A RELAÇÃO ENTRE FONTE X JORNALISTAS

- Dispensar o mesmo tratamento respeitoso e gentil a todo profissional de imprensa, independente do cargo hierárquico que ele ocupa e do peso do veículo que ele representa;
- Não cometer o erro de pedir para ler a matéria antes da sua publicação. Isso é mal visto por jornalistas, por equivaler à censura prévia;
- Cumprir o que tiver prometido como, por exemplo, exclusividade de informação;
- Não aceitar provocações discutindo com repórteres;
- Respeitar prazos para responder a jornalistas;
- Não falar mal de outro jornalista ou de veículos concorrentes. Eles podem ser concorrentes profissionalmente, mas podem se amigos ou conhecidos;
- Evitar ou ter cuidado com informações confidenciais. Se ela não pode ser divulgada deve ser guardada somente para a assessoria;
- Nos contatos e entrevistas é fundamental evitar o ”nada a comentar”;
- A informação solicitada deve ser fornecida sempre que disponível;
- O entrevistado deve procurar falar com clareza e pausadamente para evitar mal-entendidos e dar tempo para anotações;
- Não esquecer que os jornalistas precisam cumprir os seus horários. Nesse caso, convém oferecer alternativas.


FONTE: http://fernandavianna.vilabol.uol.com.br/dicas.htm

PESQUISA : PRESENÇA DA MULHER NA MÍDIA

Para quem se interessa pelo tema, existe no site (veja link abaixo) um resumo em português dos resultados do Global Media Monitoring Project 2005, que avalia a presença da mulher na mídia, tanto em termos de produção de conteúdo quanto de abordagens das mensagens veiculadas.

O estudo encontra-se disponível no site http://www.whomakesthenews.org , onde também está o relatório na íntegra, em inglês.

RESPONSABILIDADE DA INFORMAÇÃO

RESPONSABILIDADE DA INFORMAÇÃO

Por Antônio Lopes de Sá


O que se fala, o que se escreve, implica responsabilidade.Transmitir idéia é transferir conhecimento, mas, este pode ser benéfico, maléfico ou até mesmo inócuo.Quando se exerce função de importância ou mesmo algum crédito se adquire pela idade, em muito aumenta a responsabilidade do que se comunica.Essa a razão pela qual só um grau de convencimento próprio, de convicção, deve guiar nossas expressões.Tal forma responsável de conviver, preocupada com o verdadeiro e útil, lamentavelmente nem todos a possuem, mas, tende a motivar efeitos positivos.Nossas palavras possuem poder de destruir ou construir, alegrar ou entristecer, motivar ou desestimular.A energia contida no dizer, no escrever, atua sobre a mente de que capta a idéia.Como influímos sobre nosso semelhante o bom será sempre que tal fato possa ser o de uma contribuição.Essa a razão pela qual devemos muito bem preparar-nos para que possamos ter o melhor para oferecer.É da natureza do bom produzir a bondade, como é do útil render a utilidade.Exemplos notáveis foram legados por homens representativos do que há de superior na mente humana, como os deixou narrados o padre Marin Mersenne, ilustre professor de filosofia no século XVII, um homem preocupado em difundir o útil.As teorias de Galileu Galilei só se tornaram bem conhecidas na Europa pela influência do referido religioso.Importante, também, é o que o referido padre deixou difundido sobre procedimentos pessoais do grande René Descartes.Narrou o religioso que com imensa demora Descartes preparava os seus "Ensaios", levando anos para produzir algo que poderia ser lido em poucas horas.Conta Marin que ao indagar o grande filósofo-matemático sobre o porquê de tal lentidão este respondia sempre que a maior importância estava em preparar-se muito bem para que tivesse absoluta convicção sobre o que escrever.A história documentou que René sempre se preocupou em primeiro "preparar-se bem" para que pudesse transmitir o que deveras fosse útil e que aceitasse como verdadeiro.Tal senso de responsabilidade foi o que permitiu ao genial francês produzir a obra mais importante sobre o "Método" ou guia do pensamento e que abriu as portas a ciência moderna.Nada menos de três anos levou Descartes para concluir uma obra que se consegue ler em três horas, mas, a que, sem dúvida, é ainda uma das mais primorosas produções da filosofia das ciências.Seja, todavia, qual for a nossa tarefa em utilizar um escrito ou uma palavra, por mais simples que possa parecer, devemos amparar-nos em sentimentos de benevolência e respeito ao nosso semelhante.É um ato irresponsável informar errado, mas, isto tende a ocorrer com os pobres em cultura ou de mentalidade malsã.Transferir pensamentos errôneos, incompletos, tendenciosos, são formas de exercer o vício ou negar-se a praticar a virtude.

JORNALISMO, PROFISSÃO EM EXTINÇÃO

AO ARQUEÓLOGO DO FUTURO

Jornalismo, profissão em extinção

O jornalismo desaparecerá e não deixará ferramentas e utensílios como provas de que existiu, porque ele não se define por uma técnica. Ele define-se por uma ética, e ética não é algo material, que deixe pedaços enterrados no chão.

Por Bernardo Kucinski

Prezado arqueólogo,Não sei se você sabe o que é jornalismo. É uma das profissões que hoje estão desaparecendo. Ao jornalista cabe, entre outras funções, relatar os fatos importantes do momento com honestidade e denunciar abusos dos poderosos contra os mais humildes, ou contra o interesse público ou contra a paz entre os povos. É uma profissão que incomoda muito. Como tenho a certeza de que no seu tempo ela já não existirá, tal a velocidade com que está se extinguindo, quero deixar registrados seus últimos momentos. Mesmo porque, ao contrário das outras profissões que estão morrendo e que devem deixar como rastros as suas ferramentas e utensílios, o jornalismo não deixará nenhum sinal de que existiu, exceto as histórias publicadas em jornais. O jornalismo não deixará ferramentas e utensílios, como provas de que existiu porque ele não se define por uma técnica. Sua técnica é parecida com a de muitas outras ocupações. Ele define-se por uma ética, e ética não é algo material, que deixe pedaços enterrados no chão.São muitas as profissões que hoje estão desaparecendo. Cada vez mais são as máquinas e os computadores que fazem os objetos. E até planejam desenham, escrevem, programam, organizam e despacham. Tudo automático. E cada vez mais os objetos deixam de ser consertados quando quebram ou desgastam-se, de modo que também as profissões dedicadas ao reparo dos objetos desaparecem, tornam-se tão inúteis quanto os objetos que deveriam restaurar. É o caso do sapateiro. Você sabe o que é um sapateiro? É um artesão que fabrica sapatos, um de cada vez, o do pé direito sempre um pouquinho maior do que o do pé esquerdo, por assim, assimétrica, foi feita a espécie humana. O sapateiro também conserta sapatos. Ainda há hoje, nesse inicio de século XXI os que consertam, mas são cada vez mais raros. Os que fabricam já não há mais, exceto se for para algum caso especial de deformidade. Meu pai foi sapateiro. Por pouco tempo. Abandonou logo, primeiro, porque não levava jeito; depois, deve ter percebido que a profissão não tinha futuro. Hoje, os sapatos são fabricados em série por máquinas, são chamados, a maioria, de tênis, com marcas esquisitas e, logo que se gastam, são jogados no lixo. A maioria nem é de couro, é de borracha ou um plástico que imita o couro.Outra profissão que desapareceu de vez, de modo fulminante é a do linotipista. Você deve saber que muitos dos revolucionários deste século foram linotipistas, que ficaram espertos e revoltados de tanto ler sobre as iniqüidades de nosso tempo. Espero que nas tuas escavações você tenha topado com os indícios macabros dessas iniqüidades, o holocausto, o massacre em Ruanda, as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki a fome na Etiópia. Os desaparecimentos políticos na América Latina. Voltando aos linotipistas: eles compunham linhas de tipos de impressão em chumbo. Chumbo quente, fumegante. Tinham que tomar leite para não se envenenaram. Tusso isso sumiu com as composições a frio, com a informática, com a microeletrônica. Sumiu também a datilografa. Você sabia que as pessoas digitavam as letras num teclado de ferro. E que, se errassem uma letra, tinha que começar tudo de novo? Também desapareceram os pestapistas, os paginadores, todos os profissionais que montavam as chapas de impressão. Tudo isso era feito à mão, coisa por coisa, página por página. O desaparecimento do jornalista está se dando de modo mais sutil, mais imaterial e por processos diversos. Primeiro, uma boa parte deles, em vez de defender o interesse público, dedica-se hoje a melhorar a imagem ou defender objetivos de grandes empresas, de grupos de interesse, governos e políticos. Chamam-se assessores de imprensa. Os mais importantes chamam-se diretores de relações institucionais. Outros jornalistas estão virando uma espécie nova de ficcionista que mistura realidade com imaginação, inventa histórias, usa os personagens do momento para criar enredos imaginário. Ou usa elementos de fatos reais para criar todo um enredo, mais envolvente e dramático. Assim, não precisam investigar nada, nem comprovar, nem ouvir todos os lados envolvidos num episódio para relatá-lo com verossimilhança, muito menos estudar e pesquisar os temas sobre os quais escrevem. Não são escritores, como se poderia pensar, porque não tem estilo, não tem classe. Usam uma linguagem insultuosa e arrogante, adjetivada, rococó, muito distante também da linguagem clássica do jornalismo, que deve ser objetiva e econômica e, na qual, os fatos devem estar adequadamente hierarquizados e contextualizados. Usam muito o humor e sarcasmo, mas sem o talento e a criatividade dos verdadeiros humoristas. Jogam todos esses elementos dispares num meio novo de comunicação chamado Blog, que não se sabe se é uma comunicação pública ou pessoal. E onde tudo pode ser colocado, fatos, mentiras, fofocas, versões, insinuações, ilações e até acusações. No blog nada dura mais do que duas horas. No blog, tudo é efêmero, fugaz. E divertido. É como se fosse uma sessão de cinema. Assim, o jornalismo também virou entretenimento.

Saudações,Bernardo Kucinski


Fonte: http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10021